RICE ordena o backlog em uma tarde e encerra a discussão de quem grita mais alto. A conta é alcance vezes impacto vezes confiança, dividida por esforço, e Sean McBride publicou o modelo no blog da Intercom em 2016. Três armadilhas distorcem o resultado se você não impor regra.

As três armadilhas

Confiança inflada: você marca 90% em tudo e o score vira opinião com cara de planilha. Desça para 50% quando a estimativa vier de palpite. Esforço incompleto: você não contou review, teste e migração de dado. Some essas horas antes de dividir. Alcance impossível: escreva 12.000 usuários ativos por mês em vez de todos os usuários. Sem número e sem período, o ranking não serve.

O que o modelo não pesa

RICE ignora risco técnico, prazo de contrato e dependência legal. Marty Cagan trata desse vazio em Inspired (2017): o time de produto discute valor, esforço e risco, e a fórmula devolve valor e esforço enquanto o risco fica de fora. Você junta a tabela a uma coluna de estratégia escrita pelo founder, e a reunião fecha com a lista ordenada.

Testar antes de construir

Eric Ries pede em The Lean Startup (2011) que você teste a suposição de maior risco antes de codar a feature inteira. Uma landing page, cinco entrevistas de cliente ou um protótipo clicável derrubam a estimativa de esforço. Você ordena o backlog de novo depois do teste: ranking que não muda é ranking que ninguém olhou.